Perder-se Para Se Encontrar

 

Alice Cai. Desaba por um buraco profundo e desconhecido. A pulsação acelera: Medo! Mas espera! Não é só medo: há também desejo. Aquilo que não conhecemos nos assusta, mas também nos envolve. Alice Cai, mas por vezes flutua, curiosa Alice. Entre o medo da queda e o desespero por conhecer, ela se deixa cair mais um pouco. Cair pode ser doloroso, e quando a descida é demorada, por vezes parece que a dor é comum de ser sentida. Alice imagina que depois dessa queda se acostumará com o “rolar das escadas”. Mas a linda Alice sabe flutuar! E Alice flutua, e aproveita o cair em si mesma. Ela se olha, percebe seu reflexo. Ela se vê do Avesso, porque cansada já está de ser Direita. Não quer mais ser aquilo que dizem que ela precisa ser. Alice quer mais! E talvez só ali, frente ao desespero de cair sem direção, Alice tenha percebido que o Avesso lhe caia melhor que as máscaras. A queda parece não ter fim, e vez ou outra Alice consegue até relaxar, mas Despenca em outros momentos. E num desses solavancos, Alice Cai! E ao sentir o impacto de seu corpo tocando o chão Alice percebe que a queda terminou, mas que ainda ficará dolorida por um tempo. Alice chora. E suas lágrimas por instantes pareceram maiores do que ela própria. Mas Alice Acredita! E ao acreditar Alice pôde ver uma porta que antes ali não estava. E ao olhar pela fechadura, Alice não sabia ainda para onde ia, mas Alice já conseguia ver que Muitas Maravilhas Ainda Podia Encontrar.

Léia Faustino

Psicóloga