O Mundo Em Preto E Branco

.. Uma Breve Compreensão Sobre a DEPRESSÃO ..

 

A noite estava quente e úmida, Maria sentada em seu sofá pensava no que fazer naquele sábado à tarde. Seu marido se aproxima e pergunta à ela se não gostaria de tomar um sorvete, mas Maria não parece muito interessada, na verdade já tem um tempo que seu apetite já não é mais o mesmo. O marido então sugere um jantar com os amigos, mas Maria também não sente à vontade em aceitar o convite. Sente-se triste ao lembrar que tempos atrás era ela quem queria sair todos os finais de semana, e sente saudade ao lembrar de como sentia-se feliz em reuniões sociais. Já faz um tempo, que as coisas que Maria gostava foram aos poucos deixando de ser interessantes. Ainda sai vez ou outra, normalmente após ser convencida pelo marido ou pelo filho, vai à uma festa ou ao cinema, mas já não sente mais prazer como antes. Maria é advogada, e apaixonada por sua profissão, mas tem deixado de atender à alguns casos, por vezes sente-se incapaz de ganhar as causas ou de orientar corretamente seus clientes. O relacionamento com o marido as vezes é difícil. Seu marido até concorda que eles tenham problemas conjugais, mas diz não serem tão relevantes. Ambos concordam que os conflitos de Maria atrapalham a relação. E que as brigas acabam por trazerem à tona episódios de tristeza profunda para Maria. Essas discussões reforçam o sentimento de Maria de não ter importância para os outros, e na maioria das discussões, por menores que sejam, seus pensamentos dizem que o marido vai deixá-la, mesmo que ele não tenha lhe verbalizado essa decisão. Quando se sente deprimida, normalmente sua reação é retrair-se do relacionamento, da família e dos amigos, e nesse isolamento, normalmente tem uma sensação de vazio e desesperança. Freqüentemente Maria se sente sozinha, inútil e sem que tenha atributos para que seja amada. Costuma culpar-se pelos desentendimentos com o marido, com o filho e pelas circunstâncias de seu dia a dia, como os problemas financeiros. Várias vezes teve o pensamento de querer desaparecer. Se consola ficando na cama, dormindo mais do que o necessário. Maria já pensou algumas vezes que a solução para seus problemas seria a morte. Maria se lembra que a primeira vez que sentiu-se assim foi após o nascimento do filho. E agora, após mudar de casa vem sentindo coisas parecidas, como também sentiu quando perdeu seu emprego anterior. O marido várias vezes diz à Maria que isso é coisa da cabeça dela e que ela precisa ver o lado bom das coisas. Certa noite uma amiga disse à ela que todos passavam por coisas difíceis na vida, e que ela tinha que levantar a cabeça. Um colega de trabalho outro dia perguntou à Maria o que tinha de errado com ela, que ela tinha que reagir. Mas nenhum desses comentários ajudavam Maria à se sentir melhor, na verdade à faziam se sentir mais culpada e mais incapaz. Foi só quando procurou ajuda médica e psicológica que Maria descobriu que o que tinha chamava-se Depressão, e que não era frescura, que não era coisa de sua cabeça e muito menos que dependia do querer estar bem. E foi só depois que compreendeu e aceitou o que estava acontecendo com ela, que Maria conseguiu dar um passo à frente: ir em busca de retomar a capacidade de levar uma vida comum e ter sua vida de volta.

*Esse é apenas um caso ilustrativo.

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O QUE É DEPRESSÃO?

Hoje em dia é comum se falar em Depressão, e muitas vezes as pessoas confundem tristeza e depressão. É normal nos sentirmos tristes diante de diversos acontecimentos em nossa vida. Isso é comum e esperado. Mas quando falamos em Depressão, estamos falando num estado de tristeza mais profundo e que mesmo que relacione-se com os acontecimentos da vida, faz com o que a pessoa não sinta mais prazer em atividades antes prazerosas, influencia diretamente várias áreas da vida da pessoa, a pessoa perde o interesse em diversas coisas, deixa de relacionar-se com amigos e familiares, deixa de realizar atividades profissionais ou as faz parcialmente, e com isso, a pessoa acaba num isolamento que reforça os sentimentos de incapacidade, inferioridade e profunda tristeza.

ENTÃO, COMO DIFERENCIAR A TRISTEZA COMUM DE UM ESTADO DEPRESSIVO?

Primeiramente, é preciso dizer que a Depressão se apresenta de formas diferentes para cada pessoa, e também tem graus diferentes, podendo ser considerada leve, moderada ou grave (dependendo da intensidade e do quadro sintomático apresentado). A história de Maria por exemplo, é UMA forma de como a Depressão pode se apresentar, mas não é a ÚNICA.

Mas podemos falar em alguns sintomas mais comuns aos quadros depressivos e que podem nos ajudar a compreender melhor e a diferenciar de uma possível tristeza passageira ou pontual.

PRINCIPAIS SINTOMAS DOS QUADROS DEPRESSIVOS

Sentimentos: tristeza, angústia, desprazer, ansiedade, apatia, desvalia, culpa, baixa auto estima.

Sintomas Físicos: alteração no apetite, alteração no sono, diminuição na libido, falta de energia, falta de iniciativa, quadros dolorosos, alterações gastrointestinais.

Pensamento: falta de concentração, memória prejudicada, pessimismo, desesperança em si e na vida, pensamentos sobre culpa, pensamentos sobre morte, pensamentos de desvalia em relação à si mesmo.

TRATAMENTOS PARA A DEPRESSÃO

Após diagnostica, a depressão tem sim tratamento, e são eles:

1 – Tratamento Médico: Em alguns casos o tratamento medicamentoso se faz necessário. À partir da prescrição de anti-depressivos (lembre-se: somente um médico pode diagnosticar e verificar a necessidade da medicação. NUNCA se auto medique. O médico é o único profissional que pode realizar essa indicação. Mesmo que você acredite ou saiba que tenha depressão, a real necessidade da medicação só pode ser avaliada e prescrita por um Psiquiatra.

2 – Psicoterapia – Á partir do tratamento psicológico, o indivíduo poderá trabalhar as questões emocionais que envolvem o quadro depressivo. A Psicoterapia pode auxiliar muito nos quadros depressivos, onde o indivíduo consegue compreender por ângulos diferentes seus conflitos e pode traçar junto com o terapeuta estratégias para que sua qualidade de vida seja retomada.

*Na maioria dos casos a combinação dos dois tratamentos também se faz necessária.

**Se você após ler esse texto se identificou ou conhece alguém que esteja passando por algo parecido, procure um Psicólogo ou Médico de confiança.

 

🙂

Léia Faustino

Psicóloga

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