Desistir Nem de Brincadeira

Vamos conversar um pouco sobre CRIANÇAS e suas “BIRRAS”?

 Não é incomum ouvirmos de pais, educadores e cuidadores que algumas vezes a educação de uma criança torna-se uma tarefa um pouco complicada. O choro é uma das expressões de nossas emoções, e quando falamos em crianças, temos que nos lembrar que o controle das emoções ainda é precoce, e que para os pequenos é mais difícil controlar o choro. Expressar nossas emoções muitas vezes é importante para o alívio da tensão, as lágrimas podem ser extremamente importantes para a criança transmitir uma mensagem de desamparo ou a necessidade de auxílio e socorro.

Mas e quando esse Chorar se torna constante? E quando esse choro vem acompanhado por birras? Bom, nesse caso é importante que os pais e responsáveis fiquem de olho para o que possa estar acontecendo no mundinho de seu pequeno. Cada criança é única, cada casa é singular, cada família tem sua essência. E por isso, não existe fórmula mágica para que consigamos compreender o choro constante de uma criança. Existem algumas perguntas que podemos nos fazer para começarmos à entender o que se passa com nossas crianças:

  • Em que ocasiões o choro/birra acontece?
  • Na presença de quem acontece?
  • Após quais atividades o choro/birra começa?
  • O que acontece depois?
  • Qual a atitude dos pais diante desse comportamento?
  • Algo significativo aconteceu com essa criança recentemente? Uma perda? Um acidente? Uma mudança de endereço? Separação dos pais? Mudança de escola? Etc.

As respostas das questões acima podem nos dar um panorama inicial do que pode estar acontecendo no mundinho da criança, o que tem desencadeado isso e o que possivelmente a criança tem buscado com esse comportamento. Mas algo pode ser comum à muitos casos: a criança chora e faz birra buscando alguma coisa e em decorrência de algo. Muitas vezes esse choro constante e os comportamentos de birra estão ligados ao fato da criança querer Atenção dos pais. A criança aprende que quando chora ou faz birra consegue o que quer, como por exemplo brincar mais, e ao mesmo tempo também consegue a atenção dos pais.

A ATENÇÃO é um reforçador muito importante para a criança. Então, o que fazer? Deixar de dar atenção aos filhos? Não! A atenção deve ser concedida em momentos onde a criança estiver demonstrando comportamentos adequados. A atenção não deve ser dada somente quando a criança estiver chorando ou sendo birrenta, pois caso contrário, os pequenos entenderão que é à partir das birras e comportamentos inadequados que conseguirão estar perto dos pais. E como conceder essa atenção? Bom, vamos à alguns exemplos: os pais podem estabelecer algumas atividades para fazer junto aos filhos ao longo da semana, como ver um filme juntos, brincar de massinha, construir algo juntos (um projeto de arte? de pintura?, etc), jogar juntos, preparar uma refeição, etc. Vamos lembrar que cada idade e cada criança vai demandar atividades diferentes. O importante mesmo é que os pais consigam mostrar para as crianças que eles não precisam de birra ou choro para ter a atenção de quem se ama.

Outra coisa que acredito ser muito importante é que os pais (re)pensem sobre suas crenças em relação à seus filhos. Muitas vezes temos medo de que nossa criança tenha um problema sério, ou então temos pensamentos como: “só meu filho é assim”, “porque será que é só comigo?”, “não é possível, meu filho deve ter algum problema”, “a culpa é minha”, etc. Esses pensamentos que gosto de chamar de Sabotadores, nos distanciam da situação e da criança, nos levam para uma atmosfera de medo e insegurança, e não nos deixam agir adequadamente no processo de educação de nossos pequenos. Precisamos contestar nossos sabotadores, para que possamos estar plenamente presentes na educação de nossos filhos. A birra e o choro constante nos assusta, mas além disso, nos traz a necessidade de nos fazermos presente na relação com nossas crianças, e as mudanças só são possíveis quando assumimos essa postura de Presença, e nos deixa cada dia mais longe desse medo, que nos afasta de nossos pequenos.

O caminho é um processo, que demanda tempo e investimento emocional, mas é totalmente possível quando a gente não desiste. E desistir, nesse caso, nem de brincadeira..!! Vamos brincar do que então? Mãos à Obra..!!

 

🙂

Léia Faustino

Psicóloga

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