Aqueles Que Amamos Nunca Vão Embora

Quando pequena, uma das coisas que eu mais gostava de fazer aos domingos quando ia à casa do meu pai, era observar meu avô trabalhando. Eu ainda me lembro do cheiro das ervas que ele cuidadosamente usava para preparar remédios naturais. Eu olhava encantada cada movimento dele e talvez tenha sido aí que eu tenha começado a acreditar em magia! Me lembro de contar orgulhosa para as amigas da escola que os remédios que eu tomava para asma era meu avô quem fazia para mim. Eu o via como um grande cientista, e eu, que desde pequena adorei ciência, amava quando ele me chamava para ajudar no quartinho dos fundos da casa, o seu laboratório, como eu costumava chamar.
Certo dia, ele me percebeu triste e me disse que tinha o remédio certo, me deu uma pequena garrafa de vidro, dentro um líquido amarelo com gosto de mel, e algumas ervas verdes que flutuavam suavemente sobre o líquido. Ele me pediu para levar para casa comigo e as recomendações eram que toda vez que eu ficasse triste, precisava balançar a garrafinha e depois tomar uma colherada! Eu utilizei várias vezes, e o mais mágico é que eu sempre sorria quando balançava a pequena garrafa e via o verde se misturando ao amarelo. Esse não era um remédio para o corpo, era um remédio para a alma! E coincidência ou não, escolhi a Psicologia, ciência almada, como companheira de profissão. E meu avô, talvez sem saber, me proporcionou uma das minhas primeiras experiências terapêuticas.
Com ele também aprendi sobre perda, aprendi a dura lição da vida: em algum momento vamos nos despedir das pessoas que amamos. Depois da morte do meu avô não tive mais coragem de entrar no quartinho, por vezes fiquei sentada no degrau em frente a ele só para sentir o cheiro, mas só depois de adulta tive coragem de abrir a porta. Eu me lembro da última conversa que tivemos, ele, de alguma maneira, sabia que era uma despedida, não entendi metade do que ele me disse aquele dia, mas uma frase meu coração entendeu bem: “eu vou continuar perto de você e do seu pai, ele é um homem bom, e você uma boa garotinha”, eu sorri, dei um beijo nele e sai correndo do quarto sem saber que seria a último encontro com meu avô-cientista.
Quando soube da morte dele não consegui chorar, eu apenas sentia raiva! Talvez as lágrimas que agora me tomam a alma sejam dessa garotinha que ainda vive em mim. E hoje sou grata em ter a oportunidade de dizer a essa pequena menina que seu avó estava certo, ele nunca esteve longe, pois vive em mim! Aquelas mãos que habilidosamente preparava receitas mágicas também vivem nessas mãos que hoje decidiu escrever para acolher um pouco dessa saudade com cheiro de mel e hortelã.

Menina Veste Rosa

Ela veste rosa! Mas também azul! E verde, vermelho, roxo.. Dificilmente veste amarelo, não é uma cor que ela tenha preferência.. Sua combinação preferida é rosa e azul.. Ela brinca pouco com bonecas, na maioria das vezes prefere brinquedos em miniaturas.. Tem coleção de carrinhos e também adora jogar futebol.. Nunca gostou de usar laços e fitas no cabelo, mas adora usar boné.. É apaixonada por carros e também por animais.. Seu sonho é ser empresária e ter uma rede de hotéis para cachorro.. Ela também quer conhecer Paris!! Ela está crescendo rápido e cada dia que passa sabe mais o que quer..

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Quando eu estava grávida eu só conseguia imaginar um mundo cor de rosa, aquele mundinho de princesa que aprendemos a admirar desde pequenas, mas ela me trouxe um mundo colorido muito mais lindo do que eu poderia imaginar.. Uma cor para ela é muito pouco, ela é meu arco íris..

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E meu amor por ela: incondicional!! Sou grata por ter aprendido tanto com você filha, gratidão por trazer cor ao meu mundo e por me ajudar a enfrentar dentro de mim tantos padrões culturais.. A maternidade mudou muita coisa em mim (se é que não me mudou por completo), quando me vi responsável pela educação de uma menina num mundo tão machista, uma revolução aqui dentro aconteceu.. E você, que era tão pequena, mas tão grande aqui dentro, me ensinou tanto que hoje só posso te respeitar para que seja tudo aquilo que quiser, com todas suas cores.. Eu te amo infinito, incondicionalmente, em todas as línguas e cores possíveis..

 

Léia Faustino

Mamãe

A Vida é Um Sopro

Em muitos momentos vivemos presas a certezas rígidas e crenças inflexíveis. Ansiedade pelo que virá, apego pelo que já foi. Vivemos como se tivéssemos controle do próprio tempo, quando na verdade ele caminha por conta própria. O pensamento alimenta o que é negativo e estamos sempre a reclamar, a querer mais! Acabamos deixando de aproveitar o que temos! Lembre-se daqueles dias onde você desejou ter o que tem agora.

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Nos acostumamos com o que nos faz sofrer. Deixamos de lutar pelo que faz nosso coração sorrir e esquecemos de exercer gratidão por tudo de positivo que temos em nossa vida. Deixamos de celebrar a magia da própria vida, pois toda manhã é um milagre! É uma oportunidade para fazer a vida valer a pena!

Deixamos que coisas pequenas nos afaste do que é de fato importante e do propósito de estarmos vivas. Queremos ter razão, quando a verdade é uma mera ilusão! A vida é um sopro! O que era antes, agora não é mais. Quanta vida já se foi, e quanta vida ainda temos! O que faremos com ela?

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É momento de perdão! Perdoar a nós mesmas e aos outros! É momento de gratidão! Gratidão por ser quem somos e pela oportunidade da vida! É momento de Amar! Acredito que o amor seja a magia mais poderosa do mundo. Dizem por aí que não há nada mais poderoso que um beijo de amor verdadeiro!

Léia Faustino

Psicóloga