Quando Me Tornei Mãe

Quando me tornei mãe deixei de lado muitas certezas. Verdades que eram absolutas tornaram-se frágeis como areia. Dei adeus a muitas coisas que acreditava serem eternas e trouxe para perto aquilo que parecia tão distante. Aprendi a dar valor ao que parecia trivial. Aprendi que um banho não é só questão de higiene, mas um momento de encontro comigo mesma. Que oito horas de sono podem ser um privilégio e como um encontro com as amigas pode fazer falta. Confesso: não foi fácil! Meus pensamentos voltavam com frequência àquilo que fui, mas já não era. A confusão era tanta que até saudade do chefe eu senti.

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Quando me tornei mãe deixei de lado muitas certezas que abriram espaço para novas verdades. Aprendi que fingir ser uma sereia no banho pode ser divertido, que cantar uma música na madrugada pode aquecer uma noite fria, que ser acolhida num momento de dor pode me aproximar mais de alguém do que dividir uma bebida. E que trocar a hora extra por uma sessão de desenho pode ser uma escolha lucrativa.

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Quando me tornei mãe deixei de lado muitas certezas. Deixei de lado quem fui, para tornar-me o que precisava ser. Se foi fácil? Doloroso como despedir-se de um grande amor! De início me recusei, acreditava não ser possível viver sem aquela que fui, mas já não era. Chorei a perda, implorando que eu pudesse retornar, mas era tarde! Eu já não estava mais ali! Meu corpo já não era mais o mesmo, minha alma muito menos. Mas não podia desistir, já não estava mais sozinha. Do ventre, um novo coração, e nesse encontro pude perceber que eu também precisava renascer. Não mais como era, mas uma nova versão precisava vir ao mundo! Vesti-me então de minha essência, e nela pude encontrar o que precisava: novas possibilidades!

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Quando me tornei mãe deixei de lado muitas certezas. E hoje quando olho para elas, agradeço tê-las deixado no passado. Sem isso não teria descoberto quão melhor eu poderia ser. Quando me tornei mãe deixei de lado muitas certezas, a começar pela certeza de que a maternidade só é feita de momentos doces e felizes. Mas foi abrindo mão dessas verdades que pude notar que mesmo os momentos mais amargos são um preço pequeno a pagar comparados com a felicidade de se conhecer a força do amor que transcende nossa alma e nos reconstrói quantas vezes forem necessárias. O amor que não tem dia, nem hora, nem tamanho. Não só sinto esse amor, mas hoje posso dizer: sou feita dele! Feita de retalhos de amor materno! Amor compartilhado com quem me tornou quem sou. De quem é impossível me separar, pois não importa quanto tempo passe e nem quão longe você possa estar, ainda te sentirei tão perto como se aqui estivesse: no ventre que não só te gerou, mas que a mim também deu nova vida!

🙂

Léia Faustino

Psicóloga

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Quando Nasce Uma Criança, Também Nasce Uma Mãe

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