O Medo de Ter Medo

.. Um Breve Olhar Sobre a ANSIEDADE ..

Tinha que ser hoje. Eu já havia atrasado demais essa decisão. Acordei mais cedo que o habitual, tomei um banho quente, e demorei para escolher a roupa. Eu precisava de algo que mostrasse: estou decidida, não mudarei de ideia novamente. Ensaiei muitas vezes em frente ao espelho e no chuveiro. Sim, hoje eu pediria demissão do trabalho. Os pensamentos não me deixavam em paz: “o que meu chefe vai dizer?”, “o que farei se ele me pedir para ficar?”. Dessa vez o ônibus parecia estar demorando mais do que em outros dias. E aquela espera só fazia aumentar o fluxo do meu pensamento. Peguei o celular, mas não conseguia focar meu pensamento. De repente, senti uma dor no peito. “Meu Deus” pensei, “o que será isso?”. A dor parecia ficar cada vez mais forte e aos poucos parecia que minha respiração também se esvaia. Uma angústia avassaladora tomou conta de mim. Suava frio e minha respiração estava cada vez mais difícil e mais rápida. Medo! Muito Medo! Liguei para meu irmão: “Vem me buscar, por favor, acho que estou tendo um ataque do coração”. A sensação era de morte. Eu tinha certeza que ia morrer. Meu irmão não demorou dez minutos para chegar, mas foram os dez minutos mais longos de minha vida. Médicos, exames, enfermeiras, calmantes, salas frias e alguns chocolates. Após alguns minutos ali no hospital eu parecia estar melhor. Mas meus pensamentos continuavam a me indagar: “deve ser algo sério”, “não quero morrer agora”, “e se eu sentir isso de novo?”. O eletro ficou pronto! Olhei, mas nada entendi. De frente ao médico ele me disse que não tinha nada com meu coração, mas eu custei a acreditar: “como não? Senti pontadas, quase desmaiei”. E o médico continuava a dizer que estava tudo bem comigo e que iria me dar um encaminhamento para o Psiquiatra. “Oi? Psiquiatra? Como assim? Não sou louca! Eu senti mesmo tudo isso! Eu senti!”. Não deixei que o médico terminasse, fui embora. “Que absurdo! Depois de tudo que passei, ainda me dizem que é tudo coisa da minha cabeça?”. Preciso de outra opinião, de um médico que saiba o que está dizendo. Preciso de ajuda. Um outro médico. Os mesmos exames. A mesma resposta: “seu coração está ótimo, não se preocupe”. O que eu tenho então Dr.? E então a resposta: “Me parece que o que você teve foi uma crise de Ansiedade”. Não agüentei, levantei da cadeira: “Você também? Vai me dizer que estou louca? Que não senti o que disse ter sentido?”. E então a resposta: “Não, claro que não. Você não está louca. E tenho certeza absoluta que sentiu tudo isso. A ansiedade é sim de ordem psicológica, mas os sintomas são tão reais quanto me conta. Vou te encaminhar ao Psiquiatra e ao Psicólogo, e não, você não está louca, mas sim, precisa de ajuda, como precisaria também se algo acontecesse em seu coração”.

Ela Tinha Medo de Escuro

PRINCIPAIS SINTOMAS DA ANSIEDADE

Os Transtornos de Ansiedade São VÁRIOS, e cada um se apresenta de formas distintas em relação aos sintomas e intensidade. Porém, podemos listar alguns sintomas mais comuns que estão ligados aos quadros de ansiedade:

 

  • Sintomas Físicos

– Taquicardia (batimentos acelerados)

– Sudorese (suor excessivo)

– Respiração curta e rápida

– Sensação de falta de ar e ‘afogamento’ e ‘sufocação’

– Dilatação da Pupila

– Incômodos Estomacais

– Dores Musculares

– Tremores

– Tontura

– Cansaço e Fadiga

 

  • Sintomas Psíquicos

– Medo Intenso

– Insegurança

– Dificuldade de Concentração

– Tensão

– Nervosismo

– Angústia

– Possível ruptura com a realidade

– Inquietação

– Sensação de “branco na mente”

– Sensação de Perigo Iminente

– Preocupação Excessiva com situações sociais

 

PRINCIPAIS TRATAMENTOS PARA A ANSIEDADE

  • Tratamento Medicamentoso e Acompanhamento MÉDICO
  • PSICOTERAPIA
  • A combinação dos dois citados acima: Psicoterapia e Acompanhamento Médico

 

Léia Faustino

Psicóloga

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10 comentários em “O Medo de Ter Medo

  1. Esse texto expressa exatamente o que as pessoas normalmente relatam ao se depararem com a primeira crise de ansiedade. Às vezes o caminho é longo até que se chegue à conclusão de que a própria emoção possa provocar tudo isso! Muito bom, Léia!

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  2. Já tive crise de pânico, e inicialmente também não aceitava que era algo psicológico e não queria tratamento. Mas graças a Deus tive apoio da minha família e me trato a dois anos, realmente o caminho é longo, mas compensador.

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  3. É interessante como a mente afeta nosso corpo de forma tão intensa. Por isso, procuro está muito atenta aos meus sentimentos, sempre buscando dar uma freada, principalmente nos momentos mais turbulentos da minha vida.
    Belo texto Léia!!
    Parabéns mais uma vez!
    Um grande abraço

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