Notas Sobre Meninos E Meninas

Querido Irmão,

 

Hoje venho te pedir Ajuda! Não, fique tranqüilo, não estou doente (pelo menos não como imagina). Mas quero falar sobre algumas pessoas que estão. Lembra-se quando éramos pequenos? Bonecas para mim, espadas para você. Panelinhas para mim, carrinhos para você. Rosa para mim, bola para você. Fomos crescendo. Mesmo eu sendo mais velha, somente suas namoradas dormiam em casa.  E a desculpa era sempre a mesma: “Ele é Menino”. Você podia paquerar quantas quiser, mas as que se apaixonavam por você, essas mamãe e papai não queriam como nora, afinal, elas eram atrevidas de mais para a idade. Você se lembra daquele nosso vizinho, aquele que sempre fazia piadinha das meninas da rua? Papai entendia ele, afinal papai também tinha sido menino, e era só uma brincadeira. E a mamãe me dizia: “filha não sai mais com essa saia, coloca uma calça e problema resolvido”. Crescemos mais um pouco. Conheci o grande amor da minha vida, ele era perfeito. Todos lá em casa adoraram ele, lembra? Casei! Mas sabe, não acredito mais em príncipes. As vezes sinto que a culpa é minha, devo ser muito exigente, mas qualquer coisa é motivo para que ele perca a paciência. Eu entendo, ele foi menino. O pai dele também achava engraçado ele fazer piadinhas das meninas, a mãe dele se orgulha até hoje de como o filho lindo dela era namorador. Quando ele insultava as meninas, os pais dele acreditavam ser culpa delas, afinal: quem mandou ela se entregar tão cedo?! Mas eu sou esposa, e como esposa tenho a obrigação de satisfazer seus prazeres quando e como ele desejar, afinal ele já foi menino. Sabe irmão, eu queria muito ter um filho, sei que também iria adorar ter um sobrinho. Duas semanas atrás soube que estava grávida. Uma luz, uma esperança! Deus colocou essa criança para salvar meu casamento, quem sabe agora ele não volta a ser um príncipe? Mas meu entusiasmo durou pouco tempo. Uma noite dessas ele se irritou porque demorei a chegar em casa, tentei explicar, encontrei uma amiga no caminho. Mas em vão: minutos depois estava no hospital. E depois do Boletim de Ocorrência, ele está na delegacia. Fiz um ultra-som para saber se o bebê estava bem, e o medico disse sorrindo: é menina! Semana passada você me contou que sua esposa espera por um menino, e hoje, ao saber que carrego uma menina, decidir lhe pedir essa ajuda: ensine seu filho que todos somos iguais! Deve estar pensando: “Claro!”. Mas isso implica irmão, em ensiná-lo que brincadeiras tem consequências, que não é legal fazer piada ou ofender as colegas na escola. Que não deve olhar par a mulher como objeto, muito menos como propriedade. E talvez o mais difícil irmão: Seja Exemplo! Não só para ele como para o mundo. Se um dia ver algum homem fazendo piada de uma mulher, a ofendendo ou violentando: Ofereça Ajuda à Essa Mulher! Lembre-se: sua sobrinha pode passar pelo mesmo no futuro. E seu filho? Vai ser o agressor ou aquele que estende a mão?

🙂

Léia Faustino
Psicóloga

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